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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Vida... sintética

Rui Barbosa*

Há formas de “vida” diferentes da vida dada por Deus.

Já abordámos em crónicas anteriores a “vida” artificial (1)(2)(3) que “procura simular os sistemas vivos por meio de algoritmos computacionais, a partir do pressuposto de que a essência da vida não estaria no material de que é constituída, mas sim no seu processo lógico singular”. Vimos, inclusivamente, que nada parece impedir que “células” robóticas venham a agregar-se em corpos de humanóides.

Susana Dias (2), reporta que, em entrevista à BBC News, no início do ano, determinado Biólogo (4) fez questão de distinguir as expressões “vida artificial” e vida sintética”.

Vida sintética

Com a vida sintética, apenas se redesenham os cromossomas que são uma parte muito importante senão determinante do desenvolvimento do Corpo dos seres vivos; não é criado nenhum novo sistema de vida artificial; o importante é a molécula de DNA e, partindo dela, mas baralhando a sua composição, os cientistas pretendem criar seres nunca vistos, sem equivalentes na natureza.

Cristina Caldas (5) diz que Norman Packard, Steen Rasmussen, John McCaskill e o filósofo Mark Bedau, em dada altura, decidiram que seria o momento de trabalhar nesse projecto importante, ambicioso e desafiador: criar uma entidade viva genuinamente nova, sem os ingredientes biológicos habituais como o DNA, as biomoléculas convencionais e o núcleo, entre outros. O resultado, passados seis anos, foi a estruturação duma série de instituições e redes de pesquisa com olhos voltados para a vida sintética: (6)(7)(8). Steen Rasmussen (9), entrou com a ideia de protocélula como entidade viva mínima, composta por três estruturas:

1.    Um “container”,

2.    Um sistema metabólico primitivo e

3.    Um novo tipo de material genético.

Nós sabemos que a última tentativa de fazer vida sintética esbarrou com a falta duma energia que pusesse tudo a funcionar (Craig Venter); portanto, parece que a essência da vida esteja não na natureza nem na organização dos materiais empregados, mas no seu princípio dinamizador, que os cientistas consideram ser de carácter energético: A minha pergunta é pois se tal “energia” não será a imagem do “Espírito que dá a Vida” do Catolicismo…  

Segundo Cristina Caldas (5), “Não existe consenso sobre o que é vida Para ser considerado vivo, o organismo precisa de se reproduzir, evoluir e ter um metabolismo activo. … Mas uma pessoa que não deixa descendentes não é considerada viva?… E os demais organismos que não se reproduzem, não são vivos?

Cristina Caldas cita Regis no livro “What is life? Investigating the nature of life in the age of synthetic biology” (10) que conclui:O metabolismo é uma característica inescapável de todas as entidades vivas, desde os minimamente até aos maximamente vivos.”

Segundo Luis Junqueira (11), “os novos organismos sintéticos poderiam ter as funções de produzir energia, prover alimentos, processar informações e permitir a produção de novos fármacos, entre outras”.

Ao contrário da Ciência, que pretende dissecar a Vida…, a Religião simplesmente afirma que Deus… criou os seres vivos.

Totalidade das minhas crónicas: Humanity+ portugal.

*Doutorado (U. de Grenoble, França), Investigador em Vida Artificial Informática há mais de 30 anos, transhumanismo@sapo.pt.

Citações

(1) "Vida" artificial informática; Rui Barbosa; Capítulo Português da Huamnity+ (Associação Mundial de Transhumanistas)

(2) “Vida artificial e sintética: aposta na substância”; Susana Dias; http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=39&id=475&tipo=0

(3) Tese de doutoramento; Nina Velasco e Cruz; Universidade Federal do Rio de Janeiro http://www.cipedya.com/web/FileDownload.aspx?IDFile=168107

(4) Hamilton Smith, que trabalha no Instituto J. Craig Venter, o laboratório que sintetizou o genoma da bactéria Mycoplasma genitalium

(5) “O que é vida?”; Cristina Caldas; http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&tipo=resenha&edicao=39

(6) Consórcio internacional Pace (Programmable Artificial Cell Evolution, liderado por McCaskill),

(7) Empresa ProtoLife (Packard e Bedau) e

(8) ECLT (The European Center for Living Technology)

(9) LANL, Los Alamos National Laboratory

(10) “What is life? Investigating the nature of life in the age of synthetic biology”; Ed Regis; Editora: Farrar, Straus and Giroux; 198 páginas; 2008

(11) “Biotecnologia e Inteligência Sintética”; Luis Junqueira; http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=39&id=471

 

 

 


sinto-me: Sintetizado com uma estrela

publicado por Transhumanismo às 12:07
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
INSERIR tecnologia... no nosso corpo

Rui Barbosa*

Deveria ser possível para corrigirmos ou aumentarmos as nossas faculdades. Foquemos algumas das tecnologias menos conhecidas.

Esta possibilidade vem na sequência das nossas crónicas anteriores: tornarmos, materialmente, mais do que somos, isto é, “homens+”.

Diz Gareth Branwyn (1) “As tecnologias de prótese e interface neuronal de hoje podem dividir-se em 3 categorias principais:

- Próteses Auditivas e Visuais: “Até agora, os implantes mais bem sucedidos foram os da área do Ouvido. Os doentes e membros das respectivas famílias que entrevistei falaram-me do seu desespero durante os seus anos de Surdez e enfatizaram o quanto eles apreciaram esta tecnologia que mudou as suas vidas”. Próteses Visuais: embora um número mínimo de invisuais já tenha conseguido alguma visão muito elementar, a verdade é que “a prostética visual tem ainda um longo caminho a percorrer”.

-  Estimulação neuromuscular functional (2)(3) (“os sistemas de estimulação neuro-muscular cerebral estão em aplicação experimental em casos nos quais certos danos da espinal medula ou enfartes estragaram a ligação do cérebro ao sistema nervosos central”).

-    Controlo de membros protésicos através de interfaces desses membros com os neurões.

Ele diz ainda: “sabemos que o Futuro será ‘ligado’. A ‘ligação’ por ‘hardware’ de próteses neuronais já chegou e continuará a desenvolver-se no sentido de sistemas completamente implantados controlados pelos cérebros dos utilizadores... Qualquer que seja a altura em que tal venha a acontecer, esta tecnologia tornar-se-á, eventualmente, uma opção comummente capacitadora para os que tiverem necessidades especiais, e, em determinado altura, as pessoas começarão seguramente a falar de usar a mesma tecnologia para uma expansão selectiva das capacidades humanas.”

Michio Kaku (4) prevê que se possa vir a substituir o Cérebro por outro natural lá para 2050…. Um implante extremo que Minsky (5) prevê é o do cérebro na sua totalidade, isto é, a sua substituição total por um cérebro artificial, “de modo a pensarmos um milhão de vezes mais rapidamente do que actualmente”

Pergunta que me fizeram:

- Com o corpo mudado, o cérebro também mudaria, e com o cérebro o controlo sobre as acções.

- Quando se muda o coração de alguém, a pessoa muda… para melhor (senão tal não seria feito). Essa pessoa é melhor ou pior do que antes disso?.

A inserção de Tecnologia nos nossos corpos terá no entanto os seus custos (que poderão compensar ou não…): Diz Gareth Branwyn: “Com certeza que mesmo os mais entusiastas neuronautas não quererão sujeitar-se a repetidas cirurgias do Cérebro só para terem a última versão dos interfaces cerebrais.” E acrescenta: “A historiadora de Ciência Donna Haraway no seu ensaio ‘A Cyborg Manifesto’, sugere que os grandes deficientes são muitas vezes os primeiros a apreciarem os frutíferos acoplamentos dos humanos com as máquinas”. Será que as pessoas quererão realmente as suas cabeças abertas ao exterior e ‘ligadas’? Como pagarão tais procedimentos que serão certamente dispendiosos? E que dizer da obsolescência?”

Quem substituir partes do seu corpo por artificiais, ou seja, se “cyborguizar” (6), se nos referirmos ao que diz António Carvalho em Transhumanismo e interculturalidade” (7), perderá “agência”, isto é, capacidade de agir de modo independente e de fazer as suas próprias escolhas livremente (Wikipedia). Ele ficará mais dependente dos outros… 

Totalidade das minhas crónicas: Humanity+ portugal.

*Doutorado (U. de Grenoble, França), Investigador em Vida Artificial Informática há mais de 30 anos, transhumanismo@sapo.pt.

Citações

(1) Will we live to see our brains wired to gadgets? How about today? Brains Wired To Gadgets, By Gareth Branwyn; Revista WIRED 1.4

(2) “Vem aí a Saúde Artificial”; Jornal de Notícias; 7-3-2002

(3) De nouvelles expériences concernant les implants cérébraux; http://www.automatesintelligents.com/actu/041231_actu.html#haut#haut;

(4) Michio Kaku, conhecido Cientista que se reuniu com alguns dos seus colegas de topo do Mundo, entre eles 15 Prémios Nobel em “Visões - Como a Ciência Irá Revolucionar o Século XXI”. Kaku, Michio. Ed. Bizâncio.

(5) Minsky, http://web.media.mit.edu/~minsky/papers/sciam.inherit.html

(6) “Cyborg” é um organismo cibernético. http://en.wikipedia.org/wiki/Cyborgization

(7) António Carvalho: http://transhumanismo.blogs.sapo.pt/12627.html


sinto-me: Em dúvida
música: Karftwerke

publicado por Transhumanismo às 13:26
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
O Conteúdo do nosso cérebro... num humanóide

Rui Barbosa*

Chama-se “Mind uploading” (1).

Admitindo que se venha a produzir humanóides “vivos” e “evolutivos”, poder-se-á também, provavelmente, transferir o conteúdo do nosso cérebro para o dum humanóide desses, de modo que o seu cérebro se passe a comportar para todos os efeitos práticos dum modo não distinguível do nosso (1) Tal só deveria tornar-se possível muito depois de 2100 aquando do conhecimento total do Cérebro Humano (2), pois será preciso conhecê-lo para fazer dele uma cópia para a qual se transfira o referido conteúdo…

Qual a vantagem?

Vejamos algumas perguntas que me fizeram a este propósito.

- Um futuro chip que espelhasse o cérebro individual (e também a Consciência) e acrescentasse conhecimento objectivo, será alguma vez capaz de diferenciar e finalmente julgar e tomar ambas as partes subjectiva e objectiva em consideração, de modo a definir e seguir um objectivo?

- A possibilidade dum conhecimento objectivo da Auto-consciência é um problema real que parece à primeira vista não totalmente solúvel como já dissemos numa crónica anterior: alguém de fora será capaz de observar os efeitos da auto-consciência, mas esses efeitos não são suficientes para conhecer totalmente a respectiva causa (Klaus Hepp, ETH Zurique); por definição, só o sujeito da Auto-consciência deveria poder conhecer totalmente a sua auto-consciência e mesmo isso seria recursivo, logo infinito …. Mas este problema também já surgiu antes na História, com a Psicologia: a dada altura, pensou-se que dada psicologia individual poderia estar só ao alcance do indivíduo; depois, a Psicologia Experimental foi inventada e agora sabemos tanto sobre a Psicologia Humana! Mesmo assim, não conhecemos a sua totalidade (lembrar Wittgenstein que dizia que há muita coisa que não se pode verbalizar…).

Na verdade, se nós fossemos capazes de fazer seres vivos artificiais evolutivos e tais seres evoluíssem até se tornarem conscientes, eu não vejo nenhuma razão pela qual eles não poderiam adquirir, como no caso da Evolução Natural, Auto-consciência…

- Será também possível unir e misturar as consciências e conhecimentos doutros?

- Não penso que deva ser esse o objectivo: Seguindo a nossa actual maneira de organizar a informação (v. Internet), a melhor solução seria ter, em cada um, acesso à informação dos outros; não a concentração de toda a informação em todos; já que a relevância e a dinâmica da informação dependem de quem vai usá-la.

- Que aconteceria quando praticamente todas as decisões fossem tomadas por computadores mas fossem os homens os responsáveis?

- O mesmo que numa empresa na qual os homens usam os computadores; o nível é diferente: uma decisão acerca de ir a Skopije ao Festival das Artes, tem de ser humana, uma decisão acerca do voo a apanhar seria dum computador (não longe de se tornar possível, mas também só possível por pessoas que dominem o funcionamento dos computadores, os critérios para o computador decidir…; é tudo uma questão de níveis de decisão).

- Um computador não pode ser acusado nem punido... que significaria então a moralidade? E a individualidade? Isto leva-nos à Alma.....

- Eu penso que os computadores têm uma moralidade material (sem Alma); a punição sendo a sua reprogramação (3).

O ser Humano terá de supervisionar os Humanóides, já que a comunicação com Deus deve impor-se à ética das máquinas.

Se construirmos humanóides “vivos”, e pudermos transferir os conhecimentos do nosso Cérebro (p. ex. dum Bombeiro) para o Cérebro deles, poderemos entregar-lhes tarefas excessivamente exigentes para nós no plano físico (no ex., nas Catástrofes). Deveria ser possível, além disso, os nossos cérebros comunicarem com os seus sem necessidade de comunicação verbal, escrita, ou outra deste tipo… (4).

Na próxima crónica abordaremos o assunto: deveremos substituir partes deficientes do Corpo por dispositivos tecnológicos?

Totalidade das minhas crónicas: Humanity+ portugal.

*Doutorado (U. de Grenoble, França), Investigador em Vida Artificial Informática há mais de 30 anos, transhumanismo@sapo.pt.

Citações

(1) Artigo da Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/Mind_uploading#cite_note-Roadmap-0#cite_note-Roadmap-0

(2) Para Edelman, Prémio Nobel de Medicina, cada cérebro é um cérebro diferente e seriam necessários 32 milhões de anos para um ser humano ler todas as ligações cerebrais …

(3) http://uhaweb.hartford.edu/anderson/machineethics.html

(4) Brain-Computer Interface http://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Brain%E2%80%93computer_interface&oldid=315715766



publicado por Transhumanismo às 14:53
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