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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008
O HOMEM

                                                                            

 

Are we, human beings, 100% particle and 100% wave?

David Pearce

If all subatomic particles are both wave and particle, and we're all made of atoms, does that mean we're both wave and particle?

If the unitary dynamics of post-Everett quantum mechanics is correct, then we're 100% wave - not in the sense of spatial waves, but rather wave functions in configuration space. However, experimentally testing this conjecture will be difficult. Philosophers like David Chalmers claim that we must embrace dualism because of the "structural mismatch" between the phenomenology of our minds and the microstructure of the mind-brain and [ultimately] physics, i.e. the phenomenal binding/combination problem: http://consc.net/papers/combination.pdf For scientifically unexplained reasons, our phenomenally bound organic minds are not simply aggregates of discrete, decohered, membrane-bound neuronal "mind-dust". Yet is such a structural mismatch real? Or just an artefact of our clumsy tools of investigation and a naive classical conception of the dimensionality of the physical? Directly testing such a conjecture would be demanding even to posthuman superintelligence because quantum superpositions of 86 billion odd neurons of the CNS are "destroyed" [i.e. effectively lost to the wider extra-neural environment via thermally-induced decoherence in a thermodynamically irreversible way] at sub-femtosecond timescales beyond the reach of contemporary molecular matter-wave interferometry. However, I'd love to learn the result of the conceptually simple but still technical tricky experiment outlined here: http://www.physicalism.com/#6 A summer project for a postgrad perhaps? My own best guess is that next-generation interferometry will reveal a perfect isomorphism between the phenomenology of our minds and the formalism of [unmodified, unsupplemented] quantum physics. Alas the intuitions of armchair physicists are cheap.”

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A mim, Rui Barbosa, parece-me que, muito simplesmente, concatenando Ciência e Religião, somos partículas (matéria) e ondas (alma).

Segundo a Ciência, onde o Homem atual parece distanciar-se, em primeiro lugar, dos outros animais, é no seguinte:

Diferenças em Relação aos Animais - Quantitativas

Consciência

O Cérebro é o órgão da Consciência [1] e esta divide-se em [2] :

  • Consciência dos objetos (capacidade de integrar imagens de vários tipos, auditivas, tácteis, etc.) e
  • Consciência de Si.

A Consciência é produto da Evolução [3] e contem uma imagem reduzida de modo inconsciente da Realidade [4] ; segundo Wuketits, Biólogo emérito da Evolução [4], em dado momento histórico e em dado indivíduo, a Consciência é uma propriedade de sistemas complexos do Cérebro.

Como funciona?

A Consciência é uma espécie de vídeo mental que, no decurso do Pensamento, é “manipulado” pelo Espírito racional[4]: este percorre-a e fá-la voltar atrás no tempo, ou leva-a até ao futuro, experimentando soluções para problemas, de modo virtual, sem as ter de experimentar na vida real.

Repare-se que este espírito não é o Eu, mas, em certa medida, o Eu encontra-se face a ele, e pode mesmo entrar em diálogo com ele [4] o que, portanto, mostra bem que o Homem não é só Razão, mas um Eu que dela dispõe (o que vai no sentido do que diz a Religião…)

Para onde tende?

Teillard de Chardin, um dos maiores Paleontólogos de sempre [4] considerava que a Consciência da Humanidade se vai organizando e tende para um ponto ómega que reunirá, no fim do mundo, as consciências individuais, autoconsciências incluídas.

Livre Arbítrio

A capacidade de, após ter pensado em determinada ação, o Ser Humano, pelo seu Coração (no sentido teológico, não biológico) decidir não executar a mesma ação (é esta capacidade de escolher que constitui o Livre Arbítrio, tendo o órgão cerebral dessa decisão sido recentemente localizado numa zona específica do Cérebro) [4].

Empenho no processo mental dos outros [5]

Pelo menos em termos de ser capaz de estar consciente daquilo que os outros sabem, ou daquilo em que eles acreditam, mas também do facto de os outros estarem conscientes daquilo que ele sabe ou daquilo em que ele acredita…

A condição de viver fechado na sua cultura enquanto os outros animais têm os pés assentes na Natureza, e o

Sentido do desenvolvimento da Espécie Humana através da História.

O Homem, para Teillard de Chardin, está na cabeça do vetor da Consciência, o que por sua vez significa para Teillard, da Auto-consciência. Ele está, portanto, no topo da Evolução e o Universo está-se a curvar sobre si próprio na Auto-consciência crescente [6].

  1. “O Cérebro”, número especial da Science et Vie
  2. António Damásio, Conferências ISPA, Lisboa
  3. António Damásio, Conferências ISPA, Lisboa
  4. “Enigmas de Deus da Matéria e do Homem”, Ed. Notícias
  5. Micheal Corballis, Mental Time, Language(s) and Deliberation, Conferência “Nos Confins da Razão, as Fronteiras da Cognição Humana”, Conferências ICS 2011, Lisboa, Portugal
  6. “O Fenómeno Humano”, de Teillard de Chardin, Ed. Paulus
  7. Anselmo Borges, in Diário de Notícias

 

Diferenças Qualitativas

Para além das grandes diferenças quantitativas citadas entre o Homem e os outros animais, há diferenças qualitativas que parecem ser sobretudo as seguintes:

  • O fato de o Homem sepultar os seus mortos [1]
  • O mesmo Homem se considerar uma realidade sagrada [2], e
  • Segundo a Religião, o Homem não só receber um corpo da Evolução como os outros animais, mas também receber de Deus, no momento da sua geração [3], uma Alma [4] que é espiritual no sentido de força imaterial de vida (aliás ela nunca poderia ser material dado que o seu carácter individualizado iria contrariar a indissociabilidade das coisas físicas entre si [5]…). A Alma é indissociável do Corpo, sem o que este seria pura “carne”. Mesmo depois da Morte, ao contrário da tradição popular ("Joie de Croire, Joie de Vivre", de François Varillon, defunto Secretário Geral da Conferência Episcopal Francesa)
  • Alguns pensadores, populares em certos meios, mas limitados (como Ray Kurzweil, Instalador da Univeridade da Singularidade, Califórnia) reduzem o ser humano a um monte de células que mecanicamente interagiriam; mas nós não somos controlados pelas nossas células, mas em vez disso, controlamos as mesmas (por exemplo, não querendo comer por greve de fome. Mais dia, menos dia, poderemos ter nas nossas televisões anúncios de “almas” artificiais…. E, até, extrapolando o comportamento habitual do marketing ocidental, em vez duma crise financeira que destrói empregos, poderemos ter… uma crise de almas… vendidas ao diabo :)

Totalidade das minhas crónicas em Transhumanismo Portugal, transhumanismo@sapo.pt.

  1. Radio France Internationale
  2. Séneca. Grande Tribuno Romano
  3. Papa João Paulo II
  4. Bispo de Milão
  5. “Enigmas de Deus da Matéria e do Homem”

 

Prever

Beja Santos, Personalidade Histórica da Defesa do Consumidor

(Sublinhado de Rui Barbosa)

De há muito que prever é reconhecido como indispensável para múltiplos domínios, que tanto podem ser a estratégia militar, como a demografia, a situação alimentar, o aprovisionamento energético ou os novos desafios da saúde. Os líderes políticos, as atividades económicas, as universidades procuram deter os elementos mais fiáveis, para estar na dianteira dos acontecimentos.

Por definição, prever não significa acertar, os investigadores procuram elaborar quadros de tendências, talvez as únicas respostas possíveis, já que o imprevisível tem um peso incontestável em todas as análises em que se procura olhar o futurível. Um conceituado consultor de negócios (diretor executivo do Institute for Global Futures) procura antever e comentar quis serão as principais tendências que redesenharão o mundo. O resultado é estimulante e recomenda-se a sua leitura: “Sabe o que vem aí?”, por James Canton, Editorial Bizâncio, 2008.

Para o autor, as principais tendências prendem-se com os seguintes domínios: a energia, a inovação económica, a estrutura laboral, a ciência do futuro, as respostas ao envelhecimento e à saúde humana, a segurança e o combate ao risco, os choques culturais, as ameaças ambientais globais, a liberdade do individuo e o futuro das superpotências. É com base nas respostas possíveis a este emaranhado de tendências que se poderá entrar com sucesso no “futuro radical”, um tempo pautado pela trepidação das mudanças, a hipercomplexidade, o risco em permanência e aonde a surpresa tem um peso dominante na vida diária.

O autor recorda que um número elevado de previsões do passado acabou por bater certo: a informática ultrapassou os vaticínios, embora poucos desconhecessem o potencial da Internet; acertou-se no ADN, no declínio das reservas petrolíferas, na emergência da China, na nanotecnologia, no mercado das tecnologias limpas, por exemplo. Nas últimas décadas, as previsões têm convergido com bons resultados para a definição do futuro do mercado do entretenimento, o que tem falhado é o modelo tecnológico, os cuidados de saúde têm naturalmente aumentado mas as previsões não podem acertar com a natureza das despesas, o Estado já não pode pagar tudo, a estrutura do trabalho tem recebido competentes olhares mas tudo entra em choque com a natureza da imigração e emigração, a demora na efetivação de novos serviços, sabe-se que o aquecimento global é uma realidade mas há dados que faltam para permitir uma previsão com valor aproximado.

Outro cuidado a ter quando se lêem previsões como estas é ter em conta o local e a sociedade que são objetos do olhar. James Canton é norte-americano e nunca esconde que está a prever para a sociedade mais rica do mundo continuar a ter pelo menos o mesmo sucesso que teve até hoje. Mas em aspetos fulcrais, as suas previsões são transferíveis para o quadro europeu. É o caso da energia, estamos todos dependentes dos combustíveis do futuro, ninguém quer reduzir o PIB nem a sua expressão na economia global, todos queremos estar na dianteira das modernas inovações energéticas. Quando ele diz que a época do petróleo barato acabou, que as energias alternativas ainda não estão preparadas para um fornecimento adequado, que precisamos de investir mais e de aprender a conservar energia, nos entendemos esta linguagem, estamos todos afetados por este problema, estamos dependentes de fontes energéticas abundantes, fiáveis, limpas, seguras e economicamente acessíveis, é inconcebível querer reduzir as necessidades globais de energia quando há países como a China e Índia a crescer exponencialmente. A fusão nuclear é ainda ficção científica, a maior parte dos países recusa voltar à energia nuclear, o hidrogénio é uma incógnita, e o mesmo se dirá da nano-energia. Dito doutro modo, o mais longe onde se pode chegar é que estamos no limiar de muitas inovações mas que se desconhece inteiramente qual é a energia que irá pontificar quando o petróleo deixar de ser barato.

A economia de inovação tem a ver com criatividade, sociedade em rede, biotecnologia, nanotecnologia, mais e melhor educação, sucesso no combate à redução da pobreza, divulgação do conhecimento. Há tendências que já estão em marcha: é o caso dos implantes médicos micro-eletrónicos, das energias renováveis ou do mercado global do comércio eletrónico. O que se está a passar leva a admitir que as principais indústrias da economia de inovação serão as farmacêuticas e as da saúde, da energia, comunicações, transportes, meios de entretenimento, engenharia do conhecimento, engenharia e ensino, já estão esboçadas as novas tendências da Internet para os próximos 10 anos: não terá fios, o telefone e a televisão estarão totalmente integrados com a Internet, a videoconferência divulgará os negócios e os conhecimentos. Segundo a Lei de Moore, o poder dos computadores duplica cada ano. Poderá não ser exatamente assim, mas as leis de Moore são medidas precisas de progresso no poder crescente da tecnologia. Já estamos a viver na era das tecnologias convergentes (nanotecnologia, biotecnologia, infotecnologia, e cognitotecnologia). É uma nova abordagem interdisciplinar com fortes implicações económicas. Com a nanotecnologia iremos produzir novos fármacos, combustíveis ou materiais; a biotecnologia terá um papel fundamental no prolongamento da vida e na medicina; o impacto da informática será sentido na Internet, comunicação, trabalho, criatividade e entretenimento; iremos com a neurotecnologia para produzir fármacos e materiais destinados a tratar, controlar e melhorar o desempenho e o funcionamento da mente. Nenhuma empresa terá futuro se não investir na inovação, ciência ou tecnologia, corrigir o sistema educativo, melhorar a toda a hora a formação dos trabalhadores, expandir o investimento de capital e a liquidez ou criar barreiras à livre iniciativa.

É com base nessa evolução que se estão a fazer projeções para a educação preparar o futuro da força laboral e preparar em melhores condições a estratégia de emprego. Um exemplo dessas previsões passa por considerar como uma das principais tendências de emprego nos próximos 10 anos as seguintes profissões: técnicos de neuromedicina e de segurança pessoal; clonadores de órgãos; terapeutas do biofuturo; cientistas quânticos; executivos em tempo real; génios de marketing de consumo online; terapeutas promotores de saúde. Iremos viver mais e melhor, não sendo excluir que em 2025 os seres vivos vivam acima dos 100 anos, iremos adiando o envelhecimento e permanecendo cada vez mais ativos. Os inventores de amanhã já estão no meio de nós, a trabalhar células estaminais, supercomputadores e a internet 2 (para a investigação e colaboração dos cuidados de saúde). A medicina da longevidade está cheia de promessas mas também podemos prever varias doenças mortíferas, no fundo desenvolvimentos de vírus que nos apavoram e que vão desafiar a cura, como é o caso do vírus retrossida, as novas variantes do Alzheimer, as novas formas de dengue e da gripe aviária.

As tendências climáticas já estão dentro das previsões, têm a ver com o aquecimento global, o futuro da água, as grandes secas, talvez microguerras, agricultura insustentável, havendo que responder com novos padrões de produção e consumo sustentáveis, empresas utilizadoras do maior número de tecnologias livres, erradicação da pobreza, controlo do efeito de estufa, etc. Combater estas ameaças andará a par do modo como se encontrar equilíbrio com as tensões culturais e os problemas da segurança. Tudo depende da evolução para uma globalização positiva que permita reduzir os conflitos étnicos, reforçar os direitos dos indivíduos e combater a intolerância. Há previsões de inovação que indicam que a globalização, que já é irreversível, se acentuará: ligações de banda larga à Internet, cadeias de fornecimento à medida das necessidades, produção nanomolecular e produção virtual. O que exclui as guerras da globalização: terrorismo, crime organizado, tráfico de drogas, contrafação e pobreza. Recorde-se que as grandes preocupações da segurança não coincidem nas perspetivas norte americana e europeia. Os norte-americanos enfatizam o bioterrorismo, as bombas sujas, as pandemias e a guerra neurológica. A perspetiva europeia incide mais nos conflitos étnicos, no terrorismo cibernético, nos crimes contra a identidade. Seja como for, estamos todos metidos num vasto território cheio de ameaças à segurança, onde não faltam satélites, redes de identificação e localização, armas biológicas e doenças infeciosas.

Urgindo concluir, estamos em crer que o leitor tem neste livro pistas pertinentes que destacam a seriedade com que hoje se fazem previsões, naturalmente falíveis e condicionadas por um oceano de imprevistos. Todos nós precisamos de bússolas e óculos de longo alcance que nos ajudem a perceber quais as rotas das mudanças que estamos a viver. O amanhã prepara-se aprendendo a ler os sinais do presente, na sociedade, na cultura, nos negócios, na comunicação. Quem se mantém indiferente fica ao largo, é esmagado pelos outros que vão na correria. Só temos a ganhar em saber o que vem por aí, com consistência e consciência.

Depois do Hipercosumo, O Quê?

Beja Santos

Entrevista

Mais olhos que barriga (ou mais consumo que a Terra pode dar)

A sociedade de consumo fomentou consumidores diligentes e cidadãos negligentes. O hiperconsumo (não só o consumo excessivo mas as excessivas apresentações dos bens de consumo) engendrou o hiperindividualismo que nos tornou presas da compra a qualquer momento e em qualquer atmosfera festiva do nosso quotidiano, graças ao isco das pechinchas, surpresas, descontos, promoções e reduções. Queremos tudo a qualquer momento, lá está o crédito ao consumo para facilitar o nosso sonho. Mesmo neste novo ciclo de incerteza, com mais elevadas taxas de desemprego e novas obrigações familiares. O consumo tornou-se exactamente nisto: responder em cima da hora, à necessidade e ao desejo.

A cidadania é outra coisa: é a colaboração para o bem comum, é o cuidado com os outros, é a preocupação com o sítio em que vivemos, é o princípio da tolerância, a preservação dos patrimónios. É um valor estrutural, está dependente da força de vínculos e das parcerias morais.

O consumo é estético, a cidadania é ética.

Andamos, há mais de uma década, a falar em consumo responsável orientado para o desenvolvimento sustentado. Fala-se em comprar e consumir de um modo diferente, gera-se mesmo a ilusão de que o nosso poder de compra poderá ser eterno, a questão elementar será escolher bens de consumo ambientalmente menos agressivos e socialmente mais justos. Como é esperável, a ilusão não leva a ponto nenhum, o fundamental é reconciliar o consumidor com o cidadão, desenvolvermos uma mentalidade que torne a adesão possível a modos de produção e consumo sustentáveis. Para que tal aconteça, o Estado, as autarquias, os investidores, os investigadores e os cidadãos terão que acordar num consumo e numa sustentabilidade feitos de política fiscal (incentivos e punições), de se definir claramente no que é sustentável e insustentável, promover valores da autarcia sem colidir com os princípios da globalização positiva (isto é, aquela globalização que não esmaga os indefesos nem agrava os problemas sociais, ambientais, culturais ou económicos)

O consumo como fator de inovação cultural

Como a tensão entre consumo e cidadania é indisfarçável, como há conflitos na agricultura local, biológica e prudente em contraste com a massificada e que percorre todos os continentes, e mesmo se poderá dizer nos conflitos entre o transporte público e coletivo, entre os transportes comerciais de longo curso gravosos para o aquecimento da Terra, entre o investimento produtivo e multiplicador de empregos e a especulação puramente parasitária, cabe à sociedade definir o que é o consumo e em que é que ele se distingue da consumição. Se o consumidor quer avidamente tudo desde os preços mais baixos, a acessibilidade ainda mais pronta e rápida e a multiplicação das apresentações dos bens, é impensável que possa agir em consciência numa tomada de posição individual a favor da sustentabilidade, o que lhe interessa é consumir mais, a qualquer preço, e sem qualquer sentido da solidariedade. Comprar diferentemente, para ele, é um slogan, um expediente, uma tranquilização, num mundo em que é urgente só produzir o que seja reciclável, recuperável, reutilizável. Esse consumidor não quer ser prejudicado naquilo que se convencionou chamar “liberdade de compra”: se quer comprar gel de duche, ambientalmente mais danoso que o sabão, deve fazê-lo, sem constrangimentos nenhuns. Tem liberdade de se endividar, de comprar produtos descartáveis, viaturas 4x4, pôr à mesa, sem contestação, alimentos provenientes das regiões mais longínquas. Acha que o mundo vai mal mas não autoriza que se discuta a forma como ele consome.

Começar pela educação, definirem-se os contratos do bem comum

Na hiperescolha consumimos, por definição, cada vez mais. As mudanças registadas na composição do nosso regime alimentar também têm a ver com a maior quantidade de alimentos que consumimos. Queremos mais barato, isto é, queremos mais subsídios à agricultura, mais fertilizantes, mais massificação. Os nossos modos alimentares agravaram os impactes ambientais, têm graves consequências sociais e económicas. Trata-se de um regime alimentar altamente proteico, com comida cada vez mais exótica, cada vez água mais bem engarrafada, mais resíduos, mais sobreconsumo de recursos da pesca, etc. Ora, é inteiramente impossível concretizarmos uma política de consumo social e ambientalmente responsável sem promover obrigações do Estado, a adesão consciente dos cidadãos, a sua sensibilização para o pleno rendimento da utilização dos bens.

Consumo responsável e desenvolvimento sustentável precisam de políticas, metas, imperativos, interdições, prémios à concepção de produtos onde haja maior rendimento da matéria-prima, investimentos que hierarquizem a dignidade do trabalhador, onde se coordenem as velocidades (a aceleração do tempo é cada vez mais cara, paga-se em dinheiro, em atentado ambiental e mais injustiça).

As políticas devem premiar tecnologias e bens ambiental e socialmente mais responsáveis, os consumidores devem pagar mais caro o insustentável, as empresas que se mobilizam para produtos insustentáveis devem ser mais tributadas. E não vale a pena falar em responsabilidade social no quadro do voluntarismo quando o que está em causa são energias alternativas, comportamentos respeitadores do meio envolvente e da condição dos trabalhadores, o cuidar do outro (que pode estar nos países do Sul, ser um trabalhador escravo de produtos de prestígio vendidos no mundo ocidental).

Sendo a cidadania ética, é indispensável valorizar todas as práticas do comércio justo que convidem o consumidor a aderir à globalização positiva, actuando, por via das compras, na melhoria da situação dos produtores, seja nos países do Sul seja nos procedimentos de fabrico irresponsável.

Enfim, compete ao Estado impulsionar informação gratuita sobre todos os bens social e ambientalmente menos agressivos, garantindo que se possam fazer escolhas responsáveis, indutoras de um consumo consciente. Enquanto tal não acontecer, viveremos de boas intenções mas sem a garantia de obras e resultados duradouros. Isto significará que a causa social mais importante do desenvolvimento sustentável continuará adiada.


sinto-me: Interrogativo
música: Carnaval dos animais
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publicado por Transhumanismo às 09:35
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